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[BRASILCON]

A SOCIEDADE DO (HIPER)CONSUMO E A MEDICALIZAÇÃO DA VIDA

A SOCIEDADE DO (HIPER)CONSUMO E A MEDICALIZAÇÃO DA VIDA: O CENÁRIO ENCONTRADO NA (HIPER)MODERNIDADE THE HYPER CONSUMERIST SOCIETY AND THE MEDICALIZATION OF LIFE: THE SCENARIO FOUND AT (HIPER)MODERNIT

 

 

RESUMO: Este artigo propõe uma análise no que diz respeito ao uso exacerbado de medicamentos na sociedade atual. Junto a isso, haverá uma análise sobre a sociedade do hiperconsumo trabalhada por Gilles Lipovetsky, principalmente no que se refere a “sociedade hipermedicalizada” e seus efeitos no mercado, destacando a responsabilidade dos diversos envolvidos na cadeia social, tendo início desde o momento do surgimento deste cenário até ao efetivo acesso da população aos medicamentos. Ademais, será explorado as consequências prejudicais que este contexto resulta, tais como a dificuldade de aceitação do corpo e o aumento crescente de pessoas diagnosticadas com depressão e ansiedade, além dos efeitos prejudiciais a a automedicação pode resultar. Desse modo, busca-se entender se há uma possibilidade de haver uma harmonia entre o desenvolvimento da sociedade de consumo juntamente com facilidade de acesso à medicamentos sem que ocorra uma dependência perpétua da medicalização da vida causando prejuízos à saúde e segurança do consumidor.
Palavras-chave: Medicamentos; Hipermodernidade; Automedicação.  

 

ABSTRACT: This article consists in an analysis concerning the elevated usage of medicines in contemporary society. Furthermore, there is commentary regarding the society of hyper consumerism, as discussed by Gilles Lipovetsky, primarily in relation to what is referred as "hypermedicalization" and its effects on markets, highlighting the responsability of each involved layer in the social chain, from the beginning of this scenario until the effective access to medicine. In addition, the harmful consequences of this context will be explored, such as the relation between self-perceived body image acceptance and the growing number of people diagnosed with depression and/or anxiety disorders, and also the harmful effects of self-medication. Therefore, it is debated if there is possibility of harmony between the development of a consumerist society and the easy access to medicine, also considering the role of healthcare professionals, with the goal of reducing the risks to consumers' health and safety.
Key words: Medicine; Hypermodernity; Self-medication.

 

INTRODUÇÃO

 

 

É perceptível que vivemos em uma sociedade a qual o consumo está no centro das relações, de modo que muitas vezes este é feito de forma exagerada, além de haver uma correlação ao modo de atuação dos meios de comunicação, visto que devido a sua capacidade de influenciar o comportamento populacional, estimula e resulta em um meio social que age de acordo com padrões determinados. Desse modo, há uma análise sobre a medicalização do consumo, partindo como pressuposto o entendimento de que não apenas medicamentos são consumidos, como também informações médicas, pois devido aos avanços tecnológicos os meios de acesso às informações tornaram-se cada vez mais fáceis e imediatos, como por meio da utilização da internet.

O consumo é algo inerente ao homem nos dias atuais, de modo que há uma ligação entre as mudanças que ocorrem na sociedade e o fenômeno do consumo. Diferentemente de outras épocas históricas, o capitalismo pós-moderno incentiva o consumo por meio da publicidade e da noção de substituição do "prazer vicário do ter sobre o ser", de modo que há uma influência para que as substituições dos produtos sejam constantes, sendo marcada por uma renovação e modernização das mercadorias. Assim, não há como desvincular o uso de medicamentos desse cenário social, como garante Suely Rozenfeld a qual é pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz e tem experiência na área de Saúde Coletiva.

 

 

1. O CONTEXTO DE UMA SOCIEDADE HIPERMEDICALIZADA
 

É necessário visualizar a questão da medicalização nas sociedades industriais, nas quais o consumo de medicamentos não se reduz apenas à relação entre o paciente e os determinados serviços de saúde, mas depende de inúmeros fatores propriamente sociais. Desse modo, o cotidiano é o lugar que possibilita e passa a ser uma forma de compreender o consumo por ser um sistema coerente e repetitivo, pois ele é fundado sobre o privado e a liberdade formal do indivíduo. Por estar dissociado do mundo externo, o sujeito que vive tal cotidiano não consegue ter uma visão objetiva sobre a totalidade, contentando-se com interpretações parciais, visto que está inserido em tal cenário. Desse modo, entende-se que o indivíduo por estar contido nesta sociedade, a qual possui hábitos e padrões estabelecidos, busca formas de se enquadrar aos moldes impostos — sejam estes estéticos ou relacionados a possuir bens matérias de alto valor. Sendo assim, percebe-se a ocorrência de uma exclusão por meio do consumo, de modo que, conforme a antropóloga Mary Douglas, o consumo pode ser compreendido como sendo um marcador social que origina grupos hierárquicos na sociedade, os bens tangíveis e intangíveis posicionam pessoas em relação a uma determinante fundamental de poder em torno da qual gravitam diferentes posições sociais.

Ademais, o cenário encontrado é de que tal facilidade também se refere ao acesso em ter medicamentos, sendo assim, muitas pessoas como uma tentativa de conseguir manter uma rotina exaustiva de trabalho, juntamente com uma necessidade de precisar cumprir inúmeros compromissos diários ou para que consigam se adequar aos padrões estéticos, buscam determinados medicamentos como forma de solução, no caso, uma alternativa que as auxilie a manter tal ritmo de vida. Destarte, é válida fazer uma ligação com a sociedade do hiperconsumo, conceito elaborado por Gilles Lipovetsky, de modo que a nova modernidade é entendida como sendo a civilização do desejo, a qual é formada na segunda metade do século XX, a partir de uma interpretação filosófica entende-se que esta encontra-se diretamente relacionada aos moldes do capitalismo, sendo caracterizado pelo aumento do desejo, juntamente com uma comercialização e multiplicação das necessidades, desse modo, há a ideia de que tal capitalismo de consumo resulta em um novo modo de vida da sociedade, além de interferir nas relações interpessoais dos consumidores.

A “comodificação” da vida, conceito que pode ser entendido como o fato de que no mundo contemporâneo ao utilizar as redes sociais o indivíduo é visto como uma mercadoria que se relaciona com outras mercadorias, de modo a obscurecer todas as verdadeiras relações pessoais, constitui um gradativo processo que teve início na sociedade moderna e se torna visível no cenário da sociedade contemporânea. Bauman (2008) a define como “modernidade líquida”, devido às mudanças rápidas que ocorrem sem haver um embasamento firme ou algo que dê forma. Entende-se que o consumo em si não tem um centro, mas sim, várias estruturas que servem para que ele se perpetue continuamente. Para elaborar uma visão coerente dos consumidores e de suas estratégias de vida, deve-se “reconhecer que esses mercados estão necessariamente incrustados em complexas matrizes políticas e culturais que conferem aos atos de consumo sua ressonância e importância específicas” (BAUMAN, 2008, p. 34). As estratégias de marketing que faziam parte do âmbito econômico passam a atuar no âmbito existencial. Os objetos de consumo e as vidas humanas adquirem equivalência, de modo que tal fato acontece porque o consumo ganha nova significação na modernidade líquida, segundo Bauman. Assim, é necessário que se interprete o processo no qual as vidas humanas se transformam em objetos de consumo, indo muito além da simples ideia de compra e venda de mercadorias.

Diante disso, a modernidade traduz-se numa temporalidade do precário e do efêmero, ou seja, seria uma espécie de cultura no qual convivem a moderação e o excesso: esse paradoxo reflete-se, por exemplo, nas atitudes frente aos cuidados com o corpo, cujos desmesurados comedimentos, pautados pelos padrões estabelecidos pela indústria da beleza, acabam por se constituírem em excessos. Junto a isso, ao levar em consideração os ideais de saúde disseminados pelos canais midiáticos, encontra-se uma grande preocupação com o corpo, sendo assim, tal tema é relevante para a compreensão do que se designa com o termo saúde, o que reflete de certo modo as práticas coletivas contemporâneas relacionadas diretamente com a lógica incorporada pela a Indústria Farmacêutica – os próprios remédios na propaganda e em suas “promessas” são imagens que influenciam o consumidor a adquirir tal medicamento, muitas vezes, por meio da exuberante saúde apresentada por seus modelos, o que impede a reflexão sobre seus fins mercantis.

 

2. A AUTOMEDICAÇÃO

 

Nesse sentido, os indivíduos “atingidos” por tais efeitos deste cenário, buscam em medicamentos possíveis soluções para conseguir uma adequação aos padrões, de modo que procuram remédios seja para que consigam — manter um ritmo de vida adequado, o qual é afetado por problemas de estresse ou de cansaço devido a árdua rotina resultado de uma sociedade capitalista, ou ainda para conseguir estar satisfeito com seu corpo, de modo que a dificuldade de auto aceitação é um problema a ser enfrentado na sociedade moderna.

A automedicação pode ser compreendida como uma forma comum de auto atenção à saúde, consistindo no consumo de um produto com o objetivo de tratar ou aliviar sintomas ou doenças, além de promover a saúde, independentemente da prescrição profissional. Além disso, o ato de se automedicar é um fenômeno potencialmente prejudicial à saúde individual e coletiva, pois nenhum medicamento é totalmente inofensivo à saúde. Sendo assim, deve-se compreender que o uso inadequado de substâncias e até mesmo de drogas consideradas simples pela população, como os medicamentos de venda livre, por exemplo, os analgésicos, podem acarretar diversas consequências, tais como reações de hipersensibilidade, resistência bacteriana, dependência do medicamento sem necessidade, hemorragias digestivas. Dessa forma, é necessário que o consumidor tenha noção que ao utilizar remédios sem o acompanhamento devido de profissionais da área da saúde o alívio momentâneo dos sintomas pode “mascarar” a doença de base, podendo até mesmo agravá-la.

Dentre as razões o alto índice de automedicação no Brasil estão os motivos relacionados ao tempo gasto para conseguir uma consulta médica pelo Sistema Único de Saúde – SUS, (2004), visto que é muito mais fácil comprar um medicamento na farmácia e aliviar os sintomas, do que esperar um agendamento da consulta. Um outro fator é bem evidente, principalmente nos jovens, é o padrão de estética cobrado pela sociedade em nosso país. Os remédios para emagrecer são uma preocupação especial, pois as “fórmulas milagrosas” se tornaram muito populares no mundo hipermoderno

Em uma série de estudos realizados em Vancouver, publicados no Public Health Reports, no American Journal of Public Health e no Vancouversun, concluíram que as benzodiazepinas, a qual é uma classe de drogas pertence o composto químico Clonazepam, sendo este mais conhecido como Rivotril, utilizado para tratar ansiedade e distúrbios do sono. Segundo tais pesquisas, as benzodiazepinas têm sido associadas à taxas de mortalidade mais altas do que as drogas ilegais, como a heroína ou a cocaína. Tal análise foi feita com um grupo específico de 2.802 usuários de drogas entre 1996 e 2013, de modo que os participantes foram entrevistados semestralmente durante uma duração média de pouco mais de cinco anos e meio cada. Assim, constatou-se que ao final do estudo, 18,8 % dos participantes estavam com a saúde debilitada e chegaram à óbito. Portanto, os pesquisadores descobriram que a taxa de mortalidade foi 1,86 vezes maior entre os usuários de drogas que usaram benzodiazepínicos, em comparação com aqueles que não usavam. O médico Keith Ahamad observou também que mesmo depois que os pesquisadores isolaram outros fatores que poderiam influenciar a mortalidade, como o uso de outras drogas, infecções e comportamentos de alto risco, a taxa de mortalidade permaneceu alta entre os usuários de benzodiazepínicos, desse modo, afirma que grande parte do ônus é sobre os médicos, que precisam ser devidamente educados e cautelosos antes de prescrever tal medicamento.

É importante ressaltar que no brasil mesmo com a presença da regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no que se refere à venda e propaganda de medicamentos, os quais podem ser obtidos sem prescrição médica, não há regulamentação e nem orientação para aqueles que os utilizam. O fato de ser possível adquirir um medicamento sem prescrição não permite ao indivíduo fazer uso indevido do mesmo, ou seja, utiliza-lo por indicação própria, na dose que julgar necessária e quando achar conveniente. Ademais, os anti-inflamatórios, antibióticos, remédios para emagrecer e para hipertensão estão entre os mais usados sem prescrição e a maioria das pessoas não conhece os efeitos colaterais que esses medicamentos podem causar. Inclui-se nessa designação genérica a prescrição ou orientação de medicamentos por pessoas não habilitadas, como amigos, familiares ou balconistas de farmácia, nesses casos também denominados de “exercício ilegal da medicina” (PAULO et al., p.69-74, 1988). De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgados em 2016, o percentual de internações hospitalares provocadas por reações adversas a medicamentos ultrapassa 10% e boa parte desses casos pode ser evitada caso houvesse uma orientação adequada.

De acordo com Amouni Mourad, cientista que assessora técnica do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo, existem alguns medicamentos que, embora sejam benéficos quando usados corretamente, podem fazer mal ao paciente em determinadas circunstâncias, dentre eles destacam-se os Antibióticos, que devem ser utilizados não só na dose correta como no período correto, visto que quando isto não ocorre, o antibiótico mata apenas as bactérias mais fracas e as mais resistentes sobrevivem e proliferam. O resultado é que o tratamento da infecção passa a exigir remédios mais caros, mais tóxicos e que precisam ser tomados por mais tempo. Há também o Paracetamol, que é um dos analgésicos mais usados no tratamento de dores e febre, diariamente por vários anos pode ter consequências prejudiciais para a saúde, como problemas cardíacos, renais e intestinais. Por fim, Amouni debate também sobre a Dipirona, que é usada no combate à cólicas e febres, de modo que a ingestão exagerada do remédio pode ter efeitos colaterais e pode causar tremores, náuseas e reações alérgicas, como a asma. Além disso, ressalta que tal remédio em questão pode causar agranulocitose, doença caracterizada por uma grande redução no sangue do número de glóbulos brancos, sendo células responsáveis pelo combate à infecções bacterianas.

Sendo assim, algumas pessoas utilizam estes medicamentos inadequadamente, sem uma orientação médica e em qualquer situação que acreditem que se sentirão nervosas ou estressadas. Geralmente, no que se refere aos remédios relacionados ao emagrecimento, o uso inadequado é maior no sexo feminino — visto que as mulheres são as mais afetadas pelos padrões estéticos impostos pela sociedade, havendo uma dificuldade de aceitação do corpo — um dos seus efeitos colaterais mais presente é a inibição do apetite, causando perda de peso. Já no que se refere ao uso de medicamentos relacionados ao estresse, de acordo com Rang (2004), dentre os ansiolíticos — os quais são drogas, sintéticas ou não, utilizadas para diminuir a ansiedade e a tensão, além de que interferirem no sistema nervoso central para aliviar a ansiedade ou nos ajudar a adormecer — mais comuns estão os benzodiazepínicos, que são agentes sedativos hipnóticos. Diante disso, seu uso terapêutico consiste em redução da agressividade e da ansiedade, tais como distúrbios da ansiedade generalizada, síndrome do pânico, fobias. Dessa forma, é perceptível que os transtornos de ansiedade são mais presentes nos dias atuais e a revolução dos benzodiazepínicos representou o ponto de viragem entre os ansiolíticos e sedativos, para o uso terapêutico por serem mais seguros e eficazes. Contudo, segundo a Organização Mundial da Saúde, o uso abusivo e o potencial de dependência desses medicamentos não pode ser negligenciado, visto que se tratam de sérios problemas mundiais, tanto na esfera da Saúde Pública como no nível socioeconômico, ressaltando a importância de sua utilização ser feita sob a orientação de profissionais da área.

Assim, é importante que os meios midiáticos em parceria com o Governo proporcionem campanhas com o objetivo de incentivar o uso racional de medicamentos, sendo um processo que compreende diversos fatores, como a necessidade de haver uma  prescrição apropriada, estimulando o uso sempre acompanhado de profissionais, e uma a disponibilidade oportuna, com preços acessíveis, ademais, é primordial que seja enfatizado o conjunto de doses indicadas, nos intervalos definidos e no período de tempo indicado com a divulgação de medicamentos eficazes, seguros e de qualidade.

 

2.1 A INFLUÊNCIA DO MARKETING

Os meios de comunicação desempenham um papel primordial na manutenção do cotidiano, pois a propagação produzida por suas imagens e mensagens interferem diretamente no comportamento da sociedade. A medicalização é vista então como um instrumento de controle político e social. A Resolução RDC/ ANVISA N°102/00, define propaganda como sendo um conjunto de técnicas utilizadas com objetivo de divulgar conhecimentos e/ou promoverem adesão a princípios, ideias ou teorias, visando exercer influência sobre o público através de ações que objetivem promover determinado medicamento com fins comerciais. Desse modo, mesmo que as empresas objetivem transmitir a imagem de que o alvo de suas atividades é a saúde e o bem-estar da sociedade, a prática, particularmente nos países em desenvolvimento, infelizmente o que se evidencia é uma orientação marcadamente dirigida ao retorno econômico, visto que é perceptível que a mídia é um grande instrumento capaz de interferir no comportamento social. Destarte a propaganda desenfreada de determinados medicamentos contrasta com as discretas campanhas que tentam esclarecer os perigos da automedicação.

Desse modo, o caráter mercantil da indústria farmacêutica faz com que ela, na busca de eficiência e capital, passe a adotar e inúmeras estratégias e procedimentos da indústria em geral, por exemplo, a economia de escala, a padronização de produtos e a massificação de consumo — resultando no efetivo lucro. Assim, há uma influência midiática no consumo, o qual as pessoas passam a adquirir porque foram influenciadas por uma propaganda que tal medicamento é o correto, fazendo com que a população passe a fazer o uso indiscriminado de remédios, de acordo com suas necessidades individuais, sem qualquer orientação profissional, ou seja, coloca em risco a saúde pública para fins lucrativos e não para o bem social. Segundo Cesar Bentim, diretor da unidade de medicamentos isentos de prescrição do Aché Laboratórios, a classe médica se incomoda com a alta divulgação de informações sobre remédios para o consumidor, pois garante que de acordo com regras da Anvisa a informação passada deveria ter muito mais um objetivo explicativo do que se é encontrado efetivamente.

Dessa forma, ao ser induzido a obter determinado medicamento, é notável que há uma tendência para que ocorra um uso irracional de medicamentos, o qual é um importante problema de saúde pública. Portanto, é preciso considerar o potencial de contribuição do farmacêutico e efetivamente incorporá-lo às equipes de saúde, a fim de que se garanta a melhora da utilização dos medicamentos, com redução dos riscos de morbimortalidade, sendo esta uma análise que observa o número de indivíduos que morreram como consequência de uma enfermidade, em relação ao número de habitantes de dado lugar e período de tempo, e que seu trabalho proporcione meios para que os custos relacionados à farmacoterapia sejam os menores possíveis para a sociedade.

2.2 A FUNÇÃO DO PROFISSIONAL DA ÁREA DA SAÚDE

É necessário compreender que um cenário correlato encontrado é da fragilização da relação entre médico e paciente. Tradicionalmente, o que a medicina chama de doença são mudanças estruturais em nossas células, causadas por agentes específicos que devem ser combatidos com o uso de substâncias externas – os medicamentos. Mesmo reconhecendo que uma série de doenças são de fundo psicológico, boa parte dos médicos, identificam no momento da prescrição, uma forma prática e segura de abreviar e agilizar a consulta. De acordo com o psicanalista José Atílio Bombana, da Unifesp, à medida que o médico tem menos tempo e disponibilidade para conversar e se dedicar aos seus pacientes, mais propenso fica a receitar medicamentos, desse modo, ele deixa de fazer uso de sua grande peculiaridade terapêutica, que é o contato com o paciente, e adota como única resposta a medicação, o que, naturalmente, estimula a utilização de remédios.

Um outro fator é que deve haver rígida restrição do licenciamento de associações medicamentosas, sendo um medicamento composto por duas ou mais substâncias que exercem efeito farmacológico, e a implantação de normas que cobrem as principais necessidades do Brasil na área de medicamentos como formulário de cadastro de produtos, nomes genéricos de substâncias farmacologicamente ativas, bula padrão, com o objetivo principal de deixar específico e claro ao consumidor as consequências que aquele produto resulta. De acordo com a definição do uso racional de medicamentos proposta pela Política Nacional de Medicamentos, os requisitos para a sua promoção são muito complexos e envolvem uma série de variáveis, em um encadeamento lógico e para que sejam cumpridos, devem contar com a participação de diversos atores sociais, dentre eles os pacientes, os profissionais de saúde, e os formuladores de políticas públicas.

De fato, já há uma preocupação no que diz respeito ao grave problema de saúde pública, o Ministério da Saúde do Brasil criou o “Comitê Nacional para a Promoção do Uso Racional de Medicamentos”, por meio da Portaria nº 427/07, o que vem a atender uma recomendação da OMS. O Comitê tem a função principal de desenvolver ações estratégias para ampliar o acesso da população à assistência farmacêutica e para melhorar a qualidade e segurança na utilização dos medicamentos.

Desta forma, é primordial que o farmacêutico tenha o paciente e não o medicamento como foco da sua atuação profissional. Esta visão é promovida pela Organização Mundial da Saúde e pela Federação Internacional dos Farmacêuticos. Destarte, caberia aos diversos profissionais envolvidos diretamente nas políticas de assistência, promoção e prevenção da saúde um papel também educativo, conscientizador e pedagógico, tais ações deveriam ir além das questões básicas, como aprender a dosagem do remédio, mas se expandir também para o fornecimento e esclarecimento a respeito da importância do acompanhamento aliado à medicação, juntamente ao o poder de refletir sobre as recomendações médicas, ao invés de aceitá-las passivamente. Assim, essa promoção de conhecimento também poderia implicar em se repensar o paradigma da medicalização no mundo contemporâneo, hipermoderno, cuja lógica capitalista condiciona para tal cenário, sendo este um desafio relevante na execução de uma saúde coletiva realmente condizente com os princípios humanitários.

 

3.      A DIFICULDADE DE ACEITAÇÃO DO CORPO

 

             A sociedade hipermoderna é caracterizada também pela imposição de padrões de beleza. Desse modo, as encenações de cada dia e a teatralização da vida na “sociedade do espetáculo” fazem parte de um destaque no que se refere à importância que os indivíduos dão à estética (JEUDY, 2002). Diante disso, o corpo tornou-se um produto social e cultural do mesmo modo que um outro objeto qualquer com valor de troca, assim, transformou-se em um instrumento de sociabilidade. Um dos aspectos psicológicos associados aos problemas de aceitação do corpo é a imagem corporal. Segundo Schilder (1994), imagem corporal é a representação mental do próprio corpo e do modo como ele é percebido pelo indivíduo, de modo que a imagem envolve os sentidos, as ideias e sentimentos. Deste modo, as imagens vão sendo construídas e reconstruídas ao longo da vida do indivíduo, assim, há uma mudança de significações a partir das vivências que outras referências lhe apresentam. Trata-se de um processo cíclico e gradativo ao longo da vida, no qual as mudanças físicas e psíquicas do corpo suscitam a necessidade de constante reorganização da imagem corporal.

A adolescência é a fase mais significativa na estruturação da imagem corporal, visto que o indivíduo começa a se conhecer melhor. Ademais. as intensas transformações físicas desta fase alteram todo o processo de formação da identidade do adolescente. Diante disso, a formação da identidade pessoal neste período inclui, necessariamente, a relação com o próprio corpo. Segundo Faith e Allison (1996) a imagem corporal é definida como a interação entre o componente perceptivo, descrita pela avaliação cognitiva do tamanho do corpo e pelo componente postural. A distorção da imagem corporal (DIC) é definida como “preocupação exacerbada com o excesso de peso” e está diretamente relacionada e associada a distúrbios alimentares como a Bulimia Nervosa. A distorção é um dos fatores determinantes no desenvolvimento do transtorno, de modo que o que leva uma pessoa a apresentar episódios bulímicos é a preocupação excessiva com o peso e a imagem corporal.

Além disso, na sociedade Hipermoderna, é perceptível que os indivíduos acima do peso são alvo de múltiplas formas de discriminação. Sobre os aspectos sociais e culturais, a obesidade envolve estigmas, preconceitos e discriminação pela caracterização da gordura, diante disso, estes aspectos contribuem para o isolamento e sentimentos negativos à imagem do obeso, impulsionando ou até agravando problemas emocionais, como o aumento da ansiedade que acabam promovendo a necessidade ainda maior de ingestão de comida. De acordo com Williamson e O’Neil (1998), na obesidade existem três vezes mais a chance de superestimar seu tamanho do corpo do que a população geral, especialmente se forem crianças obesas. Sendo assim, Faith e Allison fundamentam que não existe relação direta entre IMC e insatisfação ou distorção da imagem corporal. Portanto, apesar de não ser inserida em todos os tratamentos da obesidade, a imagem para os obesos possui significados psicológicos como um veículo de expressão da personalidade. Nas diversas fontes de sofrimento psíquico presentes na obesidade, a visão distorcida da imagem corporal é uma das principais causas de perturbação emocional, expressa pela dificuldade em lidar com o corpo.

Sendo assim, o corpo bem cuidado pode garantir ao indivíduo melhor performance e aceitação social. Dessa forma, entende-se que aqueles que não alcançam o padrão de beleza vigente ficam estigmatizados, desprezados e com menos oportunidades. Na sociedade moderna, o corpo também adquire um valor simbólico, na medida em que ele também é um identificador de classe social. Segundo Goldenberg (2002), o corpo é um agente das diferenças sociais e, sendo “cultivado sob a moral da boa forma, surge como marca indicativa de certa virtude superior daquele que o possui. ” (GOLDENBERG, 2002, p. 10). Além disso, essas relações entre boa forma e beleza, classe social e status, com o crescimento da indústria da beleza e da sociedade capitalista-consumista, tornam-se mais evidentes, pois não apenas os cosméticos e as cirurgias, mas também dietas e exercícios adquirem um valor simbólico de prestígio — soluções estas para se encaixar ao tal padrão imposto. Essa relação é sustentada por Max Weber (1971), ao afirmar que nas sociedades capitalistas a propriedade de alguns bens materiais e as possibilidades de usá-los são determinantes para classificar as pessoas em posições sociais.

De acordo com Rockenbach (2009) a divulgação e exploração das imagens do corpo da mulher e sua admissível forma de pensar são assuntos elaborados pela publicidade que contribuem para reafirmar o poder simbólico em nosso contexto social. Junto a isso, afirma que os textos publicitários, em sintonia com o contexto histórico, social e cultural, influenciam intensamente na formação e transformação de hábitos e formas de pensar, de modo que com sua capacidade de persuasão criam e impõem, direta ou indiretamente, ideais, valores, sonhos e expectativas — interferindo nos aspectos psicológicos e sociológicos de uma sociedade.

Portanto, em relação às questões que envolvem o consumo, é necessário entender que com a globalização e o crescimento de publicidade focando em estereótipos de beleza, como os de modelos magras e esbeltas, atingem à sociedade visto que faz com que se cultive a magreza e pessoas musculosas, de modo a resultar em uma ligação à esse ideal estético, assim, valores como felicidade e beleza, tornam-se resultantes do consumo — na sociedade hipermoderna, se objetiva a conquistar tal padrão de “perfeição”. Portanto as pessoas passam a adquirir inúmeros cosméticos e compram diversos medicamentos que, em tese, resultam no tal “corpo perfeito” além de muitos recorrerem à cirurgias plásticas, as quais podem não atingirem o resultado esperado e o profissional tem obrigação de informar ao paciente sobre riscos que qualquer cirurgia pode causar, de modo que o esclarecimento e o consentimento prévio fazem parte da ética, sendo um dos princípios da Medicina. O desejo de alcançar a beleza ideal mediante procedimentos cirúrgicos é cada vez mais comum no país, abrangendo pessoas de diversas idades e faixas socioeconômicas. Em virtude de seu alto custo e de não ser considerado serviço essencial garantido pelo Sistema Único de Saúde, salvo as intervenções reparadoras, em casos específicos. Assim, o procedimento cirúrgico com finalidade meramente estética acaba sendo um dos alvos da mercantilização da medicina.

 Esses remédios são compostos por uma mistura de inibidores do apetite, antidepressivos, diuréticos, laxantes e anfetaminas, os quais fazem a pessoa perder peso rapidamente. No entanto, essa forma de emagrecimento imediata não é nada saudável porque há uma grande probabilidade de resultar em desidratação, insônia, depressão, dependência química.

É necessário compreender que o uso de medicamentos, apesar de aparentemente ser eficaz no início promovendo uma perda rápida de peso, acaba na maioria das vezes permitindo um retorno ao peso anterior assim que é interrompido a sua utilização pois, não é capaz de modificar os erros alimentares instituindo hábitos saudáveis na alimentação, além de haver os efeitos colaterais que normalmente estão presentes. A Sibutramina, por exemplo, é um dos remédios para emagrecer mais conhecidos do mercado, pois atua melhorando também sintomas da ansiedade e depressão – comumente ligadas à obesidade. No entanto, é um medicamento que age no sistema nervoso central, por isso tem vários efeitos colaterais, de modo que o principal deles seja causar dependência além do aumento da frequência cardíaca e pressão arterial, insônia e dor de cabeça, ademais, pode ser encontrada em qualquer farmácia, mas é preciso a retenção da receita para adquirir o medicamento.  

Além disso, há o fato de que a mídia e a publicidade, agem em conjunto, estimulam e reforçam a cultura do culto ao corpo na sociedade contemporânea. Dessa forma, cirurgias plásticas, academias de ginástica, alimentos diet e cosméticos são utilizados como ferramentas para a obtenção do tão propagado corpo esteticamente perfeito e atraente, instrumento de socialização e hierarquização na sociedade. De acordo com Cordás (2005), nos últimos tempos houve um aumento abusivo por procura de cirurgias estéticas, procedimentos médicos e cosméticos, os quais tiveram um crescimento de seu uso de maneira exorbitante, pois a maior parte dos indivíduos que escolhe esse tipo de tratamento, seja ele cosmético ou cirúrgico, está procurando resolver algo de sua subjetividade, que acreditam que será resolvida por meio desses métodos, e então depois de submetidos aos mesmos, continuam em um ciclo vicioso e contínuo pela busca de um corpo perfeito.

Assim, as soluções propostas para reverter ou minimizar este quadro devem passar pela educação e informação da população, maior controle na venda com e sem prescrição médica, melhor acesso aos serviços de saúde, adoção de critérios éticos para a promoção de medicamentos, retirada do mercado de numerosas especialidades farmacêuticas carentes de eficácia ou de segurança e incentivo à adoção de terapêuticas não medicamentosas. Destarte, a saúde está relacionada à nossa conduta diária e é uma responsabilidade social promovê-la, incentivando a utilização de dietas naturais, a reformulação dos alimentos ingeridos, a utilização de exercícios físicos e a reorganização dos hábitos diários, pois são capazes de manter o corpo dentro do peso desejado e ainda promover a saúde metabólica do organismo.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Este artigo propôs analisar o cenário e consequências de uma sociedade hipermedicalizada, a partir de uma interpretação elaborada por Gilles Lipovetsky (2007), por meio de um estudo a respeito do mundo contemporâneo, denominado por ele de sociedade do Hiperconsumo, em sua obra “Felicidade Paradoxal”, afirma que o consumidor está em busca de experiências emocionais, relacionadas ao imediatismo. Junto a isso, há o fato de que o consumidor está cada vez mais informado e passa a acreditar que é independente devido as diversas possibilidades de escolhas, no entanto, encontra-se habituado em um modo de vida totalmente submisso ao sistema comercial, direcionando-se aos excessos e a uma amplificação das desigualdades.

Além disso, na hipermodernidade há a presença constante do uso de medicamentos sem prescrição médica, onde o próprio paciente decide o fármaco a utilizar, de modo que caracterização da prática de automedicação deve ser vista como um problema de saúde pública, a qual se dá devido à camuflagem de sintomas graves ou potencialização da patogenicidade de certas doenças evolutivas, tornando mais complicado e aumentando o gasto financeiro do que poderia ter sido diagnosticado e tratado apenas com uma consulta ou até mesmo exames simples de rotina. Ademais, ressalta-se que a automedicação, caso feita de forma responsável, pode até representar uma economia para o indivíduo e para o sistema de saúde, evitando congestionamentos nos serviços. No entanto, caso feita de forma desenfreada e sem cautela dos riscos, como geralmente ocorre, aumenta o risco de efeitos adversos e “mascara” certas doenças, o que pode retardar o diagnóstico correto. Diante disso, tratamentos mais complexos, invasivos, caros e com recuperação lenta podem tornar-se necessários o que reflete em custo para os sistemas de saúde.

Portanto, a sociedade hipermedicalizada enfrenta inúmeros problemas e muitos acabam buscando em medicamentos uma forma de soluciona-los, os indivíduos influenciados pelas propagandas diárias e pela propagação de um estilo de vida tido como o adequado, tem cada vez mais dificuldade de manter uma rotina de vida saudável, pois o fenômeno da automedicação é obstáculo a ser superado. Assim, é importante compreender que é perceptível que a informação e a promoção dos medicamentos podem influenciar em grande medida a forma como os remédios são utilizados e um fator importante para minimizar a automedicação seria promover educação para saúde, com a finalidade de informar a população sobre os riscos de se automedicar e propiciar uma maior conscientização sobre o uso correto de medicamentos — ressaltando sempre a importância da orientação médica. Essas iniciativas são extremamente necessárias, visto que há um   aumento dos riscos de intoxicação por automedicação, o qual é resultado de um grave problema de Saúde Pública.

 

 

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